O CULTO RACIONAL
“Rogo-vos pois irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus que é o vosso culto racional .e não vos conformeis com este
mundo ,mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento para que
experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.” (Romanos
12:1,2)
Em busca de um significado para a
palavra racional , encontrei uma que me trouxe uma maior compreensão para o
sentido desse termo na passagem de Romanos 12.Racional,além de ser relativo à
razão, ao raciocínio, também apresenta o sentido se ser razoável ,que por sua
vez ,significa plausível ,aquilo que é
aceitável. Nessa garimpagem dos
significados, pude extrair esse resultado: culto racional é um culto aceitável.
Diante dos significados da
palavra racional , ainda se faz necessário saber como era a liturgia do culto
no Antigo Testamento para ter uma compreensão mais ampla do rogo paulino .Conforme
os registros do Antigo Testamento, da
criação ao êxodo ,o culto era de natureza familiar, centralizado no altar onde
sacrifícios de gratidão e de expiação eram oferecidos ao Senhor. (Gn 4:1-6;Jó
1:5).Do êxodo à monarquia, estabeleceu-se o período do tabernáculo, local
simbólico onde Deus habitava e recebia a adoração .No sistema do Tabernáculo ,foram prescritos utensílios
indispensáveis para a realização do culto ao Senhor :o altar ,a arca, os pães, o
incenso e as lâmpadas e o serviço sacerdotal. Todos esses elementos estavam
associados à liturgia do culto prestado
ao Senhor pelo povo de Israel com regras
preestabelecidas pelo próprio Deus na Lei cerimonial no livro de Levítico. Da
monarquia ao exílio ,o serviço sacerdotal permaneceu válido, porém houveram
algumas mudanças. Com a construção do templo de Salomão , o culto passou a ser participativo e
festivo, foram criados grupos de instrumentistas e corais para o louvor e
adoração. Nessa rápida viagem ao Antigo
Testamento é possível perceber que o culto sempre teve a sua centralidade na
adoração a Deus e oferecido como oferta de gratidão pelo que Ele é e
pelos seus benefícios feitos ao seu povo.
Em todo sistema de culto descrito nas Sagradas
Escrituras, de alguma forma o sacrifício está presente .No sentido bíblico ,a
palavra sacrifício se caracteriza pela entrega da oferta, daquilo que
oferecemos a Deus de todo o nosso coração. No culto primitivo, não havia um
intermediário ,o próprio adorador trazia o sacrifício e oferecia ao Senhor. Essa
prática pode ser observada desde Abel e também nas figuras de Noé ,Abraão ,Isaque e
Jacó e tantos outros patriarcas do Antigo Testamento .Nos tempos de Moisés
,conforme registrado em Êxodo,após a saída do povo de Deus do Egito ,na
celebração da primeira Páscoa ,foi estabelecido o culto familiar. onde cada
família, segundo as suas posses, cultuava ao Senhor, oferecendo os seus
sacrifícios. “...Que culto é este? Este é o sacrifício da Páscoa...”(Êxodo
12:26,27).Na jornada pelo deserto ,”Moisés edificou um altar e chamou o seu
nome :O Senhor é a minha Bandeira.”(Ex.17:15,16).No capítulo 35,Deus institui o Tabernáculo, ocasião em que Moisés
ajunta toda a congregação e ordena que o
povo traga uma oferta alçada ao Senhor para a construção do santuário .A partir
daí ,o culto ao Senhor era realizado obrigatoriamente no tabernáculo , sendo estabelecido ,portanto, de forma prescrita e
ritualística. O sacerdote era a figura principal na mediação do sacrifício e
ninguém se apresentava ao Senhor de mãos vazias. Durante o período monárquico, o
tabernáculo foi para o templo e o culto continua sob a mediação dos sacerdotes
sem os quais não era possível cultuar. Mais adiante, após o exílio babilônico ,o
judaísmo começou a se desenvolver e o culto passou a ser nas sinagogas ,lugar
específico dos judeus para a oração , a leitura das Escrituras Sagradas e a
adoração a Deus.
Assim como no Antigo Testamento não se
cultuava sem sacrifício ,na Nova aliança
,o culto também é sacrificial. Não mais um sacrifício litúrgico como era no
antigo pacto que nos servem de exemplo, mas uma oferta contínua e cotidiana, uma
entrega total dos nossos corpos em submissão à
vontade de Deus. O apóstolo Paulo define o culto racional como uma
oferta integral e espiritual enfatizando que a consagração do corpo e a
renovação de mente são os elementos primordiais para o crente cultuar a Deus de
forma prática no dia a dia consagrando a Ele tudo que é, possui e faz
,oferecendo ao Senhor um sacrifício vivo ,santo e agradável. Não mais se
conformando com o sistema deste mundo, mas transformando o entendimento pela
compreensão das bênçãos decorrentes da salvação em Cristo cujo propósito é
viver tão somente para Deus como está escrito em Gálatas 2:20 20 “Fui
crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim. E essa nova vida que agora vivo no corpo, vivo-a
exclusivamente pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim.” Por
Jesus ter cumprido o sacrifício perfeito em nosso lugar, agora ,na nova vida
debaixo da graça ,devemos apresentar ao Senhor uma oferta de gratidão
entregando a Ele todo o nosso ser de
forma sacrificial para que dessa fomar possamos compreender e experimentar a boa
perfeita e agradável vontade Deus. Esse é o culto racional,plausível e
aceitável.
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